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Em busca da ninhada perfeita

Atualizado: 15 de jul.

O que acontece nos bastidores da criação responsável de cães: muito antes de nascer uma ninhada, existem meses de estudo, planejamento, avaliações de saúde, decisões genéticas e responsabilidade. Conheça o que realmente diferencia um programa sério de criação da simples reprodução de cães.


Este título parece bem audacioso, talvez até prepotente. Então já vou começar dizendo que não existe ninhada perfeita. Nas fotos do anúncio talvez até possa parecer que é, mas para um criador responsável não é só ter filhotes bonitos para ter uma ninhada perfeita. A busca de uma ninhada perfeita (realmente perfeita) é o resumo do trabalho que todo criador sério faz, e que começa muito antes dos filhotes.


Quando observamos apenas o nascimento dos filhotes, é fácil acreditar que todo o processo se resume ao encontro entre um macho e uma fêmea. Eu entendo quem pensa assim, afinal o acasalamento é o único momento visível para quem está de fora. Mas acontece muito mais que apenas o acasalamento, o restante acontece silenciosamente, longe das câmeras, das redes sociais e, muitas vezes, longe até mesmo dos olhos de quem pretende adquirir um filhote.


Em um programa sério de criação, antes do acasalamento existem meses de planejamento, em muitos casos, existem anos de observação, estudo e tomada de decisões. Cada ninhada é resultado de uma longa sequência de escolhas, o nascimento dos filhotes não marca o início dessa história; ele é consequência de tudo o que aconteceu antes. Essa diferença de perspectiva muda completamente a forma como enxergamos a criação de cães.


Primeiro, vou explicar o que pra mim é a maior diferença entre simplesmente reproduzir cães e desenvolver um programa de criação: enquanto a reprodução é um evento biológico único, a criação responsável é um projeto de longo prazo. Ela não busca apenas produzir filhotes; busca preservar características desejáveis, reduzir riscos à saúde, fortalecer o temperamento e contribuir para que a próxima geração seja igual ou melhor do que a anterior.


Quais cães devem reproduzir?

Nem todo cão deveria reproduzir. Essa ideia costuma soar estranha porque, obviamente, entendemos que reprodução é a continuidade da vida. Falando em termos biológicos, todo organismo foi moldado pela evolução para transmitir seus genes à geração seguinte através da reprodução. Mas quando falamos dos cães domésticos, falamos uma realidade muito diferente daquela encontrada na natureza livre. Ao longo de milhares de anos, fomos nós, seres humanos, que passamos a controlar a reprodução dos cães, escolhendo quais indivíduos cruzariam e quais características seriam preservadas. O homem começou a fazer uma seleção artifícial e foi assim que surgiram as raças de cães.


Essa responsabilidade trouxe enormes benefícios. Graças a essa seleção, hoje existem centenas de raças com características físicas, comportamentais e funcionais muito bem definidas. O Yakutian Laika também é resultado desse processo, ele não foi moldado apenas pela natureza, mas também pelas comunidades que dependiam desses cães para sobreviver. Cada cão carrega consigo uma combinação única de genes, comportamentos, aptidões e características que representam o trabalho acumulado de inúmeras gerações. Quando um criador decide reproduzir um animal, ele não está apenas produzindo novos filhotes; está interferindo diretamente na história genética daquela raça.


Essa consciência faz com que a primeira pergunta de um programa sério de criação seja surpreendentemente simples: Este cão realmente deveria reproduzir?


A pergunta não é "este cão pode reproduzir?". Biologicamente, a resposta é sempre sim: um macho fértil e uma fêmea fértil são capazes de gerar descendentes. A verdadeira questão é outra: reproduzir esse animal contribuirá positivamente para a raça? Para responder a essa pergunta, um criador precisa abandonar a visão emocional e adotar uma postura mais técnica.


Uma das lições mais difíceis da seleção de cães que tive que aprender: gostar muito de um cão não pode impedir uma avaliação objetiva de suas qualidades e limitações. Essa capacidade de separar emoção e responsabilidade é um dos maiores desafios da criação responsável. Isso significa reconhecer que alguns dos cães mais queridos de um canil jamais terão descendentes, não por falta de amor, mas justamente por respeito à raça e às futuras gerações. Em muitos casos, a decisão de não reproduzir um animal representa um ato de compromisso muito maior do que a decisão de reproduzi-lo.


Esse compromisso também explica por que programas sérios de criação investem tanto tempo avaliando seus próprios cães. O crescimento de um filhote é acompanhado durante meses e seu desenvolvimento é cuidadosamente analisado. Apenas quando todas as peças começam a se encaixar é que a possibilidade de reprodução passa a ser considerada.


Ainda assim, fazendo tudo isso, a resposta pode continuar sendo negativa. Em criação responsável, desistir de um reproduzir um cão, ou de seguir com um acasalamento não é um fracasso, é exatamente o oposto: demonstra maturidade para compreender que preservar uma raça exige disciplina suficiente para dizer "não" quando as circunstâncias assim indicam. Isso muitas vezes vai significar não reproduzir um cão o qual o criador tem muito amor, ou o qual existiu muito investimento financeiro.


Escolher um casal significa estudar duas famílias inteiras

O segundo passo é a escolha do casal. Parece fácil, mas pode acreditar que não é. Na prática, não estamos cruzando apenas dois indivíduos, estamos cruzando duas histórias genéticas, duas famílias, duas linhagens, décadas de seleção realizadas por diferentes criadores em diferentes países.


Cada ancestral presente naquele pedigree contribuiu, de alguma forma, para construir o animal que hoje está diante de nós. Por isso, escolher um casal exige muito mais do que comparar beleza ou títulos conquistados em exposições, é necessário compreender como essas duas histórias se complementam. Escolher um casal é um processo de investigação, planejamento e compromisso com o futuro da raça, no qual cada decisão busca equilibrar beleza, anatomia, temperamento e saúde.


O pedigree conta uma história. Mas não conta a história inteira.

Existe uma percepção bastante comum de que pedigree significa qualidade. Na realidade, pedigree significa registro genealógico: ele informa quem são os ancestrais daquele cão, e essa informação possui sim enorme importância. Graças ao pedigree conseguimos conhecer gerações anteriores, acompanhar determinadas linhagens, calcular níveis de parentesco, preservar diversidade genética e entender como diferentes características vêm sendo transmitidas ao longo do tempo.


Entretanto, um pedigree, por si só, não garante excelência, o que ele registra são os cães que fazem parte da árvore genealógica do cão, é um documento que não garante a qualidade dos cães dessa árvore. Criadores estudiosos aprendem a "ler" pedigrees, eles procuram conhecer os cães que fundamentam a raça e seus padrões que muitas vezes passam despercebidos para quem observa apenas os nomes.


Quais cães aparecem repetidamente? Como eram seus movimentos? Como eram seus descendentes? Existiam doenças recorrentes naquela família? Qual era o temperamento predominante?


Essa leitura exige anos de estudo e convivência com a raça, é um conhecimento construído lentamente, geração após geração. É esse conhecimento é essencial para saber quais linhagens valem a pena serem trazidas para a criação. Sem isso, um criador fica preso as características que um cão apresenta fisicamente, sem ter ideia do potencial que uma linhagem realmente tem.

Saúde, genética e a escolha do casal

Ao compreender que uma ninhada começa muito antes do acasalamento, surge naturalmente outra pergunta: como um criador decide quais cães realmente devem reproduzir?


A aparência nunca é o ponto de partida, ela é apenas uma das diversas características avaliadas dentro de um conjunto muito maior de informações. O objetivo de um programa de criação não deveria ser produzir cães visualmente impressionantes para uma única geração. O verdadeiro objetivo (pelo menos esse é o objetivo do Queens) é construir, geração após geração, uma população cada vez mais saudável, funcional, equilibrada, homogênea e previsível.


O casal precisa ter características que se complementam, para poder atingir este objetivo nos filhotes. Não escolhemos apenas os melhores cães que possuimos, é necessário compreender profundamente quem esses cães são, quais genes carregam, quais virtudes merecem ser preservadas e quais limitações exigem atenção. Mais do que olhar para o animal à nossa frente, olhamos para toda a história que existe por trás dele.


Um cão saudável aos olhos nem sempre é geneticamente saudável

Existe uma ideia bastante popular de que um cão saudável é aquele que aparenta estar saudável: se ele corre, brinca, alimenta-se bem e nunca apresentou sinais de doença, dizem que ele é um excelente candidato à reprodução. Infelizmente, isso muitas vezes não é verdade. Essa é justamente uma das maiores armadilhas da reprodução: basear decisões apenas na observação.


Diversas doenças hereditárias permanecem completamente silenciosas durante boa parte da vida do animal. Algumas jamais se manifestarão naquele indivíduo específico, outras começam a produzir sinais apenas anos depois da idade em que muitos cães já tiveram várias ninhadas. Um cão pode parecer absolutamente perfeito enquanto carrega genes capazes de produzir doenças quando combinadas com outro animal portador da mesma genética. Nenhum dos pais é doente, nenhum deles apresenta qualquer sintoma, ainda assim, parte dos filhotes poderá nascer portadora de uma doença hereditária.


É por essa razão que a medicina veterinária moderna transformou profundamente a forma como os programas sérios de criação trabalham. Criar deixou de ser apenas uma atividade baseada na experiência acumulada e passou a integrar conhecimentos de genética molecular, ortopedia, oftalmologia, reprodução, comportamento animal e epidemiologia.


É justamente por isso que programas de criação investem tanto em exames preventivos. O objetivo desses exames não é "encontrar problemas". O verdadeiro objetivo é reduzir ao máximo as incertezas antes que uma decisão reprodutiva seja tomada, além de oferecer o melhor cuidado possível a cães que sejam portadores de alguma condição.


Mesmo assim, unvestindo em exames de saúde e prevenção, é importante fazer um comentário extremamente honesto:

nenhum exame preventivo do mundo é capaz de garantir que um filhote nascerá absolutamente livre de qualquer problema de saúde.


A genética trabalha com probabilidades, nunca com garantias absolutas. Essa afirmação não diminui a importância dos exames, pelo contrário: ela demonstra por que a seleção responsável existe. Quando um criador realiza avaliações criteriosas, ele não elimina completamente todos os riscos, o que ele faz é reduzir esses riscos de maneira significativa utilizando as melhores ferramentas científicas disponíveis naquele momento. É exatamente assim que a medicina preventiva funciona em praticamente todas as áreas da saúde, e é assim que trabalhamos por aqui.


Exames não são burocracia. São responsabilidade.

Algumas pessoas enxergam exames genéticos e avaliações ortopédicas como exigências burocráticas impostas pelos clubes de raça. Na realidade, eles representam uma das ferramentas mais importantes para proteger o futuro daquela população de cães.


Vamos pensar no exemplo a displasia coxofemoral, presente nos yaks. Durante muitos anos acreditou-se que bastava observar se um cão mancava ou apresentava dor para determinar se ele possuía problemas nos quadris. Hoje sabemos que a situação é muito mais complexa que isso: existem cães com alterações radiográficas importantes que apresentam poucos sinais clínicos durante boa parte da vida.


Da mesma forma, animais aparentemente normais podem carregar predisposições hereditárias capazes de aumentar o risco dessa condição em seus descendentes. Além do fato de que pais completamente saudáveis podem ter filhotes displásicos, é uma doença multifatorial e muita coisa pode intervir. É por isso que programas sérios realizam avaliações específicas por sistemas reconhecidos internacionalmente, como OFA ou FCI, sempre respeitando a idade adequada para obtenção de resultados definitivos.


O mesmo raciocínio vale para inúmeras outras condições hereditárias: exames oftalmológicos especializados conseguem identificar alterações que passariam despercebidas, testes genéticos permitem identificar cães portadores de determinadas variantes antes mesmo que qualquer manifestação clínica aconteça, avaliações cardíacas detectam alterações silenciosas.


Cada uma dessas ferramentas acrescenta uma nova camada de segurança ao processo de seleção. Nenhuma delas é perfeita individualmente, mas juntas constroem um retrato muito mais confiável do animal que será utilizado na reprodução. Isso não garante filhotes saudáveis, mas diminui muito o risco de doenças genéticas.


procedência realmente importa

Eu fiz questão de enfatizar a seguinte idéia: exames não garantem filhotes saudáveis, apenas diminuem o risco de doenças. Mas então, porque todo esse processo realmente é importante, se no final não vamos nem poder garantir a saúde dos bebês? Porque eu deveria pagar o valor de um canil com todo esse nível de seleção ao invéz de comprar um filhote de uma feirinha, por uma fração do preço?


A resposta é simples: sem esses controles, o risco é muito maior. Dependendo de onde o filhote for adquirido, as doenças são uma certeza, pois se os pais não forem rigorosamente testados antes de acasalados, pode ser que sejam portadores das doenças, e nestes casos certamente os filhotes serão doentes. O investimento nos exames de saúde é o que vai diminuir o risco do seu filhote, que você está pagando, ser doente.


Devemos também levar em consideração o que torna uma raça "uma raça": o padrão. Observando diversos cães juntos de uma mesma raça, talvez você chegue naturalmente à uma pergunta: "Se dois filhotes são da mesma raça, por que existe tanta diferença entre eles?"


Criadores que não tem um programa de criação estruturado, sem conhecimento e priorização do padrão da raça ou linhagem tem mais cães fora do padrão que cães alinhados com o padrão da raça. Isso é facil de ver quando os filhotes de um canil não apresentam consistência de aparência entre uma ninhada e outra, ou quando dois cães da mesma raça não compartilham carácterísticas anatômicas em comum: um cão muito grande quando a média não é tão grande, um cão muito pequeno quando a média não é tão pequena.


Não me entenda mal, toda regra tem exceção. Toda ninhada tem cães que tem falhas ao padrão (na verdade todo cão tem), mas quando comparamos um cão da raça com a média da raça, ele não deveria ser muito diferente dos demais. Na verdade, o que faz uma raça ser "uma raça" é justamente que os cães compartilhem características comuns: cabeça e expressão típicas, tamanho, pelagem - existe um padrão. Desvios existem em todos os cães, mas ainda assim deveriamos olhar e saber que o cão pertence aquela raça, os desvios não podem ser fortes o suficiente para deixar a dúvida em quem conhece a raça. Em muitos casos, pode ainda existir a dúvida: os filhotes realmente são puros?


Ainda existe o risco de contaminação: o filhote vir contaminado com algum parasita, ou doença infecciosa é algo que, infelizmente, pode acontecer em qualquer canil, mas a chance de contaminação é muito maior em canis que não tem um rigoroso protocolo sanitário. Agora, pensa comigo: se não se investiu em exames de prevenção a doenças, qual a probabilidade de existir invenstimento em higiene sanitária e controle de parasitas? Pensando por este lado, procedência importa pra você? Acredite, o impacto é imenso!


Quando falamos sobre procedência, estamos falando sobre história. Cada filhote carrega consigo centenas de decisões invisíveis, que dificilmente aparecem em fotografias publicadas na internet, mas que acompanharão aquele animal durante toda a sua existência. A diferença está justamente em tudo aquilo que não pode ser visto: procedência não é cor da pelagem, intensidade do pigmento, não está na beleza dos olhos. Ela está nas decisões tomadas muito antes daquele filhote existir.


O verdadeiro custo da reprodução sem planejamento

Antes de entrar nesse assunto, é importante fazer uma distinção fundamental: nem toda reprodução realizada fora de um canil estruturado é necessariamente irresponsável, da mesma forma, possuir um canil registrado não transforma automaticamente alguém em um bom criador. A diferença nunca esteve na existência de um nome, de um logotipo ou de um registro, ela sempre esteve na responsabilidade assumida antes de colocar uma nova vida no mundo.


O problema da reprodução sem planejamento não está apenas na ausência de pedigree, embora este seja importante para compreender a genealogia da raça. O verdadeiro problema é abrir mão de todo o processo. Quando não existem exames de saúde, ninguém sabe quais doenças hereditárias podem estar sendo transmitidas. Quando não existe estudo das linhagens, ninguém consegue prever quais características estão sendo reforçadas. E essa lista vai longe, resultando finalmente em cães que desenvolvem doenças com mais frequência do que deveria e que não representam fielmente as características das suas raças. E quando não existe esse compromisso, famílias e cães acabam enfrentando sozinhos dificuldades que poderiam ser prevenidas.


Nenhuma dessas situações significa necessáriamente que todos os filhotes apresentarão problemas, muitos viverão vidas longas e felizes. Mas outros, infelizmente, enfrentarão desafios que poderiam ter sido significativamente reduzidos ou até mesmo evitados. É essa diferença que torna a procedência tão importante. Procedência não promete perfeição, estamos falando de seres vivos, mas procedência se trata de compromisso com as vidas geradas desde o primeiro momento.


Criar cães é assumir responsabilidade pelo futuro

Em algum momento, todo criador precisa responder para si mesmo uma pergunta extremamente simples: "Por que quero produzir esta ninhada?" Se a resposta está baseada apenas no nascimento de filhotes, o processo fica fácil. Nada do que falamos neste caso importa.


Quando a resposta está baseada na preservação de uma raça, tudo muda. Essa é a essência da criação responsável: não produzir mais cães, mas sim ajudar a trazer a vida a cães melhores, mais saudáveis, mais equilibrados, cada vez ais próximos daquilo que a raça realmente representa.


Existe uma frase frequentemente atribuída ao filósofo Aristóteles que afirma que "somos aquilo que repetidamente fazemos". Independentemente da origem real dessa ideia, ela resume o que significa criar cães com responsabilidade. Nenhum programa sério de criação é construído por uma única decisão correta, ele nasce da repetição diária de centenas de pequenas decisões tomadas com ética, conhecimento e respeito pelos animais.


A busca da ninhada perfeita é um trabalho que exige pequenas ações, grandes decisões, muita dedicação e aprender a abandonar as emoções pessoais. Mas acima de tudo, é ter a humildade de aceitar que é uma busca eterna, e que nem por isso devemos desistir dela. Na verdade, nunca devemos desistir da ninhada perfeita.


No Queens of the North, acreditamos que criar cães nunca significou produzir filhotes. Significa preservar uma raça que atravessou séculos de história, honrar o trabalho dos criadores que vieram antes de nós e assumir, com humildade, a responsabilidade de entregar às próximas gerações cães mais saudáveis, mais equilibrados e cada vez mais fiéis à essência do Yakutian Laika. Um filhote não deve representar apenas o início de uma nova vida, ele deve representar todas as escolhas que tivemos a oportunidade de fazer antes que essa vida começasse.

E é justamente nessas escolhas que a verdadeira criação responsável floresce.



Fonte das Informações:

Opinião pessoal dos responsáveis pelo canil Queens of the North.



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