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Nossa primeira vez em uma exposição de cães

12 de mar.
6 min de leitura

Antes dos yaks, eu achava que eu entendia tudo sobre cães, afinal sempre convivi com eles. Tive SRDs, poodles, lhasas, shihtzus, maltês, Yorkshire. Mas vou confessar uma coisa: muito pouco eu sabia sobre cães, e nada sabia sobre cinofilia. Ou seja: nunca tinha ouvido falar em exposição de cães. Sabia que cães de raça seguiam o mesmo padrão (e me achava o máximo por conseguir identificar algumas raças quando as via na rua) mas não sabia que existia literalmente um documento chamado “padrão da raça”. Leiga, bem leiga mesmo.


Eu super mãe de pet fazendo ensaio de Natal com a minha Veguinha.


Quando os yaks chegaram na minha vida, isso tudo mudou e eu me vi mergulhando de cabeça no mundo da cinofilia, sendo mais especifica nas exposições de cães. Mas não foi um processo automático, nem da noite pro dia. Os ultimos 4 anos foram intensos em experiências e aprendizado.


A verdade é que a Laika (minha primeira Yakutian Laika) eu comprei e criei pra ser pet (tanto que ela é castrada). E a Vega, a segunda, veio com o mesmo propósito. Mas antes mesmo de ter a Laika, eu já achava sensacional ver as fotos de “Melhor da Raça” daqueles cães. E depois de ter, saber que eram de alguma maneira, família dos meus. Mostrava para várias pessoas a família premiada dos meus cães.

 

Sair de pet para expositora e criadora era uma ideia que logicamente não sairia da minha própria cabeça assim do nada, até porque eu era bem mãe de pet mesmo (gostaria de lembrar aos senhores leitores que eu não sabia nem da existência do “padrão da raça”). Mas eu fui muito incentivada a começar nas exposições pela criadora dos meus primeiros 4 yakutians (além da Laika e da Vega, Brownie e Rayet também vieram do mesmo canil). Quando a Vega já estava com uns 8 ou 9 meses, a criadora começou a me perguntar porque não a levava para exposição.

 

De cara eu achei que não fazia sentido nenhum, afinal pra que? Minha pet ia continuar sendo pet de qualquer jeito. Mas como tudo fica mais interessante e possível quando você olha duas vezes, eu comecei a pensar cada vez com mais carinho na ideia.

 

Eu (que entendia muito, pouco quase nada) decidi acompanhar a Giovana do Midnight Howl em uma exposição do Ragnar (que já participava muito ativamente de exposições) só para ver como é que era, sem compromisso nenhum. E essa foi a minha primeira exposição, onde pela primeira vez que vi um cão fazendo o trajeto de uma pista. E não vi só o Ragnar: Goldens, Huskies (inclusive foi a primeira vez que vi um husky puro na minha vida inteira), Dálmatas, Samoiedas... cães tão perfeitos 🥹.

 

Eu fiquei encantada pelo ambiente, pela apresentação dos cães, por quão impecáveis eram, pelos detalhes que eu jamais imaginaria. Pensei comigo: porque não? Custa nada tentar (na real custa, inscrição, grooming, transporte, etc etc... mas falamos disso outra hora).


Eu pensei comigo: não vai ser tão difícil, afinal, o cachorro precisa dar uma volta na pista, parar e ficar. Meus cães já tinham um "fica" excelente, era só tirar da Vega o hábito de sentar e estaria perfeitinha. Já tinha todo o plano na cabeça. Vai ser facinho.

 

Foi o que pensei… e estava errada. Óbvio.

Iniciei uma saga lendária de treinamentos com a Vega totalmente sozinha (afinal, eu treinei a minha samoieda para tirar selfie, qual é o desafio em treinar uma cachorra pra andar em círculos e ficar parada?). Lembra, eu achei que seria fácil.

 

Pra começar que meus cães não estavam nem um pouco acostumados a usar a guia unificada, que fica no pescoço. E eu estava menos ainda acostumada com a ferramenta! Nunca tinha usado, eu acreditava que machucava os cães. Mas pra exposição, não tinha outra opção. Eu não sabia nem o jeito certo de colocar no pescoço deles (justamente para não machucar) e eles obviamente se incomodavam com aquilo pegando no pescoço. A adaptação teve de ser lenta, e um aprendizado para ambas: Vega e eu.

 

Depois: como fazer a Vega parar na posição “stay”? Essa é a posição de avaliação estática (com o cachorro parado) que permite que o juiz melhor avalie a estrutura dos cães em pista. Teoricamente seria fácil de ensinar, Vega se deitava, dava a pata, girava, pulava, rolava, ficava por minutos esperando no fica, o que poderia dar errado?


Deixa eu ver... tudo???

Como uma boa pet, ela se sentava pra tudo. Ela aprendeu a esperar pelo próximo comando sentadinha, e foi complicado tirar isso dela. E gastou muito da minha paciência, a ponto de eu realmente pensar em desistir dessa idéia.

 

Veguinha na posição “stay”.


E você pensa que acabou? Mas é claro que não! O pior está por vir. O cão precisa permitir que um completo estranho toque seu corpo, avalie sua mordida, passe a mão por todo o corpo, machos ainda precisam deixar o juiz passar a mão nas bolinhas (olha só o desaforo).


Pode até parecer uma coisa besta, mas pouquíssimos cães permitem que um estranho os toque. Os yakutians tem ainda uma tendência natural a serem mais desconfiados com estranhos, o que piora levemente o problema. Foram uns 6 meses de treino com a Vega, para que toda essa avaliação fosse possível, deixando todo o tipo de gente possível passar a mão nela.


Vega sendo avaliada pelo juiz Carlos Flaquer na CLUSC de maio de 2025.


De quando iniciamos a preparação e os treinos dela para quando de fato a inscrevemos em uma exposição foram 6 meses (a louca da humana dela dizia que só ia botar em pista se ela estivesse perfeita... hoje, muitos cachorros depois, eu nem me preocupo mais com isso - sou feliz com meus cães dando seu melhor, sejá lá o que isso for. Mas a louca inocente de 3 anos atrás achava que podia querer isso).

 

E a primeira exposição dela foi logo uma KCSP, já seria avaliada apenas por juízes estrangeiros. Eu fiquei bem calminha (mentira). Um sol pra cada um em Sorocaba, nós estávamos com nossos cães na guia, sem lugar para descansarem... ABSOLUTE CAOS. Tudo pra dar errado. E ainda a apresentação dela que era as 15:30, eu não tinha nem comido ainda de tão nervosa. Pois deu 15:30 e nós fomos (nervosas mesmo).

 

E surpreendendo muito a todas as minhas expectativas, a Veguinha foi sensacional. Ela gosta de se mostrar, parece até que nasceu pra isso. E pra coroar, quando a juíza foi avaliar a mordida, ela deu uma lambidinha na mão dela... fofa demais. O tempo todo com o rabo alto e abanando, com uma atitude linda e feliz, quem atrapalhou ela fui eu (e confesso que até hoje eu atrapalho) mas foi o dia que ela me guiou pra aquilo que ia se tornar o meu objetivo de vida depois disso.

 

Primeiro pódium da Vega. Detalhe: eu não ganhei essa roseta da foto - melhor sexo oposto não ganha roseta, foi só pra ilustrar mesmo 🤡.


A Vega até hoje é a minha cadela com melhor temperamento para pista (dizem as más linguas que Zosmina pode destronar essa nossa majestade, não percam os proximos capítulos). Vega não se intimida pelo ambiente cheio de gente, cães e estimulos, permite que o juiz avalie, se movimenta com delicadeza e mantem uma atitude belíssima em pista. Tanto que eu acredito que dá pra deixar ela fazer sozinha 🤭. Das minhas yakutians, é a mais focada. A mais determinada, e também a mais carinhosa.


Com ela, venci meu primeiro "melhor da raça" enquanto ela ainda era jovem, foi "melhor da raça" 3 vezes no total e 3 vezes "melhor sexo oposto". E algo que é importante mencionar - a Vega nunca esteve sozinha em uma pista de exposição, nunca ganhou sem competir. Das 12 pistas que ela se apresentou no total, foi considerada excelente 11 vezes e derrubou alguns nomes de peso, inclusive o próprio pai em uma disputa de raça.


Graças a Vega, abrimos o coração para receber a Rayet, mantivemos três meninas do nosso nome, Astrid, Scarlett e Nova, e procuramos investir em linhagens estrangeiras, como o Mars na Rússia e Zosma na Itália, e só Deus pra saber o que mais o futuro há de nos reservar.


Nada disso jamais teria acontecido se não fosse pela Vega. Laika me fez amar os yakutians, mas Vega me fez me apaixonar pela cinofilia. E agora não tem mais volta.


Quem pensa que eu quero fama e glória com isso, se engana (e não conhece nada sobre exposições de cães ou sobre mim). O que eu gostei nisso tudo foi literalmente do processo: trabalhar um cachorro, cuidar dele para que tudo nele se desenvolva bem, trabalhar a socialização para que ele permita ser avaliado, exercitá-lo para que esteja sempre no seu melhor potêncial físico, e coroar tudo isso com uma apresentação bonita pra cachorro.

 

Óbvio que gostamos das rosetas, mas honestamente, crio e continuarei criando pelo processo. Não dá pra ser feliz se você viver só pelas rosetas (porque não é sempre que uma roseta vem, simples). Mas dá pra ser feliz vivendo pelo amor ao processo. Na real, só vale a pena se for assim: amando o processo. O resultado é uma consequência inevitável.

 

Quer saber mais sobre o mundo das exposições? Deixa um comentário aqui com o que você gostaria de saber.


 

A grande maioria das nossas fotos são tiradas pela profissional Fernanda Cerioni. Acompanhe o trabalho dela pelo Instagram @fernanda.cerioni

 

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